AMOR COM...E SEM PALAVRAS

terça-feira, 22 de março de 2011

ESTA MANHÃ ENCONTREI O TEU NOME




Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos

e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo 

doeu-me onde antes os teus dedos foram aves 

de verão e a tua boca deixou um rasto de canções. 



No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha 

camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração 

que era o resto da vida - como um peixe respira 

na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida 


foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti 

é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara 

um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo 

um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama 


e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos, 

mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota 

as forças, são frios os batentes nas portas da manhã. 




Maria do Rosário Pedreira

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