AMOR COM...E SEM PALAVRAS

sexta-feira, 4 de março de 2011

MUDEZ




Quando por fim voltares, traz no olhar

a nesga de areal onde algum dia

te encontrei entre a espuma e a maresia,

passeando a surpresa de haver mar.


Traz também nos cabelos o luar

e deixa que o veneno da poesia

nos envenene aos dois em sintonia,

como exige o mistério do lugar.


Talvez assim eu possa finalmente

segredar-te as palavras que não soube

dizer-te no momento em que te vi


pela primeira vez e, de repente,

o mundo foi tão grande que não coube

na minha voz e logo emudeci.



Torquato da Luz

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